O Procurador-Geral de Justiça aproveitou o momento de despedida para destacar algumas iniciativas e avanços alcançados pela atual gestão do MPSC, especialmente no que se relaciona às investigações e às ações penais em razão da prática de crimes contra a administração pública.
"É possível, sim, punir crimes de colarinho branco em nosso país. Santa Catarina é, com certeza, o Estado da Federação com mais investigações, mais ações penais e mais resultados concretos no combate à corrupção, fraudes a licitações e tantos outros crimes praticados por organizações criminosas, que ocasionam prejuízos incalculáveis à nossa população, especialmente os mais carentes, que têm maior necessidade das políticas públicas básicas como saúde e educação. Obviamente, não por sermos o estado com maior incidência desse crime, mas por contarmos com várias instituições de segurança e do sistema de justiça que atuam de forma solidária na investigação, sob a liderança do Ministério Público, de forma imparcial, autônoma e independente, condição fortalecida e aperfeiçoada em nossa curta gestão", disse.
Dentre as instituições do sistema de justiça, Trajano elevou à posição de absoluto destaque o Poder Judiciário Catarinense, reconhecendo o trabalho de todos os Juízes de primeiro grau e Desembargadores que têm enfrentado processos de grande complexidade e repercussão. Segundo ele, "com muita técnica, coragem e espírito republicano, atributo de todos os magistrados catarinenses". Fábio Trajano rendeu agradecimentos especiais aos integrantes da Segunda Câmara Criminal, em nome do desembargador Sérgio Antônio Rizelo, relator da Operação Et Pater Filium. A operação desvendou, na região de Canoinhas, vários esquemas criminosos, incluindo o que originou a Operação Mensageiro, considerada até agora a maior operação do estado na justiça estadual.
"É importante deixarmos registrada a grandiosidade da Operação Mensageiro neste órgão que é o órgão máximo do Tribunal de Justiça. Em cinco fases da operação, temos vinte e sete ações penais em andamento, dezoito condenações, cinquenta pessoas presas, dentre elas, dezessete prefeitos e três vice-prefeitos. Por isso, também dedico o nosso respeito e admiração pelo trabalho da desembargadora Cínthia Schaefer, por sua dedicação e excelência na condição de relatora da Operação Mensageiro, assim como aos desembargadores da 5ª Câmara de Direito Criminal e todos os demais Magistrados desta casa, cujo trabalho incansável tem sido uma inspiração e um exemplo de compromisso com a justiça e a transparência", completou.
O presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Francisco Oliveira Neto, agradeceu ao Procurador-Geral de Justiça, Fábio Trajano, em nome do Colegiado, pela competente gestão e postura institucional dedicada ao Poder Judiciário ao longo do seu mandato. "O Ministério Público tem um papel de luta pelos direitos e tem a compreensão de que, há muito tempo, não é um defensor do Estado, pessoa jurídica, mas o defensor da coletividade, dos direitos individuais homogêneos, dos direitos coletivos, dos direitos difusos. Desses aspectos todos de cidadania, esse é o perfil de vossa excelência. Nós tivemos condições de ladear aqui nas sessões e versar sobre as políticas públicas referentes ao sistema de justiça. Sempre encontrei em vossa excelência o diálogo e isso não é algo próprio, nem meu e nem de vossa excelência. Esse é um relacionamento institucional construído de muitos e muitos anos, e quem ocupa essas cadeiras tem a responsabilidade de honrar essa história e de olhar, apontar e construir o futuro", concluiu.