"Conhecer, pelos círculos de paz, na prática, instrumentos de Justiça Restaurativa é fundamental para nos proporcionar um novo olhar, questionador, sobre nossas práticas e nos levar a buscar outras alternativas resolutivas (e preventivas) para conflitos, para organização de políticas públicas e concretização de direitos, objetivos das tarefas constitucionais do Ministério Público", afirmou o Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação, Promotor de Justiça Eder Cristiano Viana.
A Promotora de Justiça Caroline Cabral Zonta, da 1ª Promotoria de Justiça de Camboriú, destacou a importância da temática. "Fomos convidados a vivenciar um curso de desenvolvimento pessoal e profissional, a partir da perspectiva de que o conflito é inerente à convivência humana e de que não basta trocar as lentes para resolvê-lo, mas `mudar nossa maneira de pensar', seja como parte do conflito ou como destinatário da busca pela resolução. Aplicando a Justiça Restaurativa na área educacional, a metodologia dos círculos de construção de paz possibilita aos integrantes da comunidade escolar a se conhecerem em condições de igualdade, respeito, empatia e acolhimento, experenciar a humanidade do outro e se conectar a ele, pois, `quanto mais eu conheço o outro, menos necessidade eu tenho de feri-lo'", declarou.
"O curso foi produtivo, permitindo o contato com a prática da Justiça Restaurativa. A postura aprendida durante os encontros auxiliará na condução dos casos tratados na Promotoria de Justiça que exigem sensibilidade na busca de consenso, a exemplo de conflitos escolares, casos de direito de família e articulação da rede de proteção", afirmou a Promotora de Justiça Gabriela Arenhart, da 1ª Promotoria de Justiça de Rio Negrinho.
Para o Promotor de Justiça Stefano Garcia da Silveira, da Promotoria de Justiça de Capivari de Baixo, a formação foi uma oportunidade de experimentar e aprender mais sobre a Justiça Restaurativa. "O caráter técnico e aprofundado dos ensinamentos certamente ajudará no dia a dia da Promotoria de Justiça, para que possamos melhor orientar e participar com a rede de apoio de políticas públicas que previnam conflitos, sobretudo em ambientes como a escola, o trabalho e a família. Foi sensacional!", destacou.
Para a Promotora de Justiça Andréia Tonin, que atua na Promotoria de Justiça de Fraiburgo, "o curso superou todas as expectativas, trouxe uma perspectiva diferente de possibilidade de atuação na comarca, fomentando uma possibilidade de construção tanto de medidas preventivas quanto de medidas reparativas, buscando a construção de soluções que mudem os indicadores a permitam que a gente produza resultados mais efetivos".
Nesse mesmo sentido, a Analista em Serviço Social Ana Carolina Gilgen destacou a dinâmica vivencial do curso. "Contribuirá muitíssimo no aprimoramento da escuta empática e do vínculo no exercício das minhas atribuições quando do contato direto com o cidadão e instituições", disse.
"O curso foi maravilhoso. Me deixou ainda mais entusiasmada com a Justiça Restaurativa. Já participei de dois círculos, como ajudante e ouvinte, então tinha uma noção do que seria, mas nada se compara ao que vivenciamos. No curso não existe esse ou aquele; existem pessoas, que, em suas diferenças, são muito iguais", afirmou a Assessora Jurídica Regina Di Fátima Rios Machado.
Projeto Escola Restaurativa
O projeto Escola Restaurativa, uma iniciativa do Grupo Gestor de Justiça Restaurativa no Estado de Santa Catarina (GGJR-SC) que vem sedo aplicada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA), utiliza-se dos circulos de construção de paz.
O projeto Escola Restaurativa foi pensado no GGJR-SC, composto por entidades como o Poder Judiciário, o Governo do Estado por meio de suas Secretarias, a Defensoria Pública estadual, a OAB/SC, a FECAM, a UDESC e a UNISUL. A formatação do projeto foi idealizada pelo Grupo Gestor a partir do grupo de estudos da Justiça Restaurativa para medidas socioeducativas em meio aberto, como medida de prevenção de judicialização nas escolas.
A proposta é apresentar outra forma de olhar o conflito, buscando restaurar os relacionamentos por meio de uma escuta empática e acolhedora.